Arquivo

Arquivo de novembro, 2017

Cidade do México, México – Sparring em solidariedade com Fernando Bárcenas

22, novembro, 2017 Sem comentários

via [A]ntagonismo

13 de dezembro de 2013, uma árvore de natal da coca-cola é incendiada durante um protesto contra o aumento dos transportes públicos na Cidade do México, várixs detenidxs, todxs foram liberadxs alguns dias depois, com exceção de um, Fernando Bárcenas Castillo, jovem estudante na época da CCH Vallejo.

4 anos depois o companheiro segue preso. Quatro anos que são contados facilmente, mas tem sido de terror absoluto para seus familiares e para ele mesmo; greves fome, protestos, manifestações, marchas, rodadas, tocadas, rifas, panfletos, cartazes, projeções, coletas, risos, choro, tochas, mais encontros, discussões, periódicos anticarcerários, bibliotecas autônomas dentro das prisões, oficinas com os presos, tatuagens solidárias… intermináveis atividades, denunciando, acompanhando, nos solidarizando, querendo ultrapassar essas malditas barras, querendo dinamitar este maldito sistema carcerário, econômico, social, que nos obriga a sobreviver nas suas prisões, em seus trabalhos, na sua miséria cotidiana… que arrebata nossxs companheirxs que lutam, que manifestam, que materializam seus pensamentos, por todas partes lhes encarceram, assassinam, desaparecem, jogam seus corpos em barrancos… há uma guerra declarada; e somos poucxs, estamos sozinhxs, mas estamos unidxs por esta sensibilidade, esta honestidade, este carinho e afetividade, afinidade e amor pelo outrx e só com esse coração, só com esse ódio pelo nosso presente, é que seguimos adiante, procurando fazer o possível para não deixar-nos sozinhxs neste caminho onde não há volta atrás…

Nossas convicções são claras e precisas, nenhuma concessão para este mundo, nenhuma reconciliação com xs inimigxs da vida. Todo carinho, todo amor pelxs companheirxs que seguem, que não cedem apesar do tempo e das torturas, das sentenças, das calúnias, das agressões, do desespero.

Todas estas experiências estão marcadas em nossas atividades cotidianas e isso que queremos destacar com outra nova atividade para abraçar o nosso companheiro Fercho de fora e para seguir juntando fundos para seus gastos processuais, etc.

Convidamos neste 09 de dezembro todxs xs compas solidários que praticam algum esporte de contato e com ânimos de realizar ataques fraternos e compartilhar carinhos al Sparring em solidariedade com Fernando Bárcenas e suas lutas: treinando lutando juntxs.

A atividade custará $50 pesos mexicanos que serão usados para apoiar o projeto da Biblioteca Autônoma que Fernando e outros companheiros estão impulsionando dentro da prisão.

Acontecerá no sábado, 09 de dezembro de 2017 às 10 horas da manhã no local de treinamento dxs compas da Sinteno Kolectiva, Calle Godard #20, Col. Guadalupe Victoria, a duas quadras do metrô La Raza. Levem roupas confortáveis, seu equipamento para treinar e algum bebida para compartilhar.

Obs.: Se você não quer lutar, mas ainda quer apoiar a atividade como espectador, é bem-vindx.

Santiago, Chile – Concentração de solidária pela liberdade de Nataly, Enrique e Juan

21, novembro, 2017 Sem comentários

via Contra Info

Espanha – Sai o número 5 da publicação Amotinadxs dxs compas do Local Anarquista Motín

20, novembro, 2017 Sem comentários

via Contra Info

Amotinadxs nº5, boletim informativo mensal do Local Anarquista Motín de novembro, com as atividades, novidades, convocatórias, etc.
Aproveitamos para lembrar do novo horário do local: Abrimos de segunda a quinta dase 18:00 às 21:00hs.

-Se você deseja receber o boletim, bem como outras novidades por correio eletrônico, escreva para: localanarquistamotin@riseup.net

-Para baixar o boletim e encontrar mais informação sobre o local e atividades, visite nosso blog.

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Chéquia – Texto do companheiro anarquista perseguido da Anti-Fenix, Lukáš Borl

20, novembro, 2017 Sem comentários

via 325

Todo o poder para a imaginação?

Quando as grandes greves e xs trabalhadorxs e estudantes ocorreram na França em 1968, um dos lemas daquela época foi “Todo o poder para a imaginação”. A polícia e os tribunais checos agora têm sua própria interpretação. Eles afirmam sua autoridade através da promoção de sua própria imaginação.

Quando a polícia queria o mandado de prisão sobre mim, seus motivos alegados para isso eram declarações especulativas e um monte de besteira aleatória. Obviamente, foi o suficiente para obter o mandado. É mesmo assustador, quão poderosa é a sua imaginação.

Foi escrito em certos documentos: “Lukáš B. não possui nenhuma residência permanente na Chéquia. Com base na investigação atual, descobriu-se que, no período de outubro de 2015 até dezembro de 2015, ele estava se movendo no território da república eslovaca no entorno da cidade de Žilina. Então, em abril/maio, ele estava se mudando para a Eslovênia nos arredores da cidade de Ljubljana.

Daquele lugar eu mudei muito provavelmente para a Holanda, acompanhado por (o nome da pessoa). Então, descobriu-se que, no início do verão (junho de 2016), Lukáš Borl participou do encontro secreto dos militantes defensores dos direitos dos animais, a frente da libertação animal (ALF), que ocorreu na França, no arredores de Marselha, sob o nome de RAT ATTACK. A partir da comunicação descoberta, é claro que Lukáš B. planeja viajar pela costa da Itália, da França até a fronteira da Bélgica e Holanda, onde ele deve ter um emprego – fotografando para a revista sobre migração. Cantos especiais da pessoa procurada: cabelos castanhos, barba, 8-10 dreads na cabeça, 15-20cm de comprimento.”

Que tipo de investigação poderia levar a escrever algo tão sem sentido? Em toda essa construção, há apenas uma declaração verdadeira – naquela época eu realmente não tinha uma residência permanente na Chéquia. Que tipo de comunicação a polícia “descobriu”, se eles deduzem declarações absolutamente falsas? Aparentemente, toda a investigação e a comunicação “descoberta” ocorreu apenas nas cabeças dos policiais. Apenas invenção casual, como podemos chamar. Claro, a polícia vai pensar em um nome melhor para o que eles fazem, simplesmente porque eles admitem que sua autoridade se baseia em incapacidade de pensar e investigar, não é tática.

Lukáš Borl

Santiago, Chile – Sai o número 23 da publicação “La Bomba”

20, novembro, 2017 Sem comentários

via 325

Para continuar com a idéia final do editorial passado, queremos dizer que a compilação de reivindicações de sabotagens, atentados, as notícias formuladas etc, são com a intenção de gerar um arquivo online e material, para que as diversas ideias expressadas a partir da ação e as notícias cheguem a mais companheirxs na rua, como na prisão – nem todxs têm acesso à contrainformação via internet-. Estas compilações são parte de uma linha antiautoritária, ações que tomamos com suas respectivas fontes e outras anônimas que não necessariamente fazem parte da luta anárquica, mas das quais vemos semelhanças e estão relacionadas a essa iniciativa.

A ideia de arquivo material -em papel- também é devido ao fator de que servidores onde blogs similares estavam hospedados foram atacados, outros baixados e muitos materiais valiosos foram perdidos (de diferentes temáticas). Desta forma, os arquivos em boletins e livros (compilações e cronologias) tornam-se essenciais. Também acreditamos que as ideias e reflexões expressadas por companheirxs desde a ilegalidade -arriscando muito- não podem passar despercebidas, nem podem se perder na internet. Este trabalho -o que fazemos- não é fetiche, nem jornalismo. Esta é simplesmente  uma humilde contribuição solidária à luta anárquica e é um apoio aos grupos de ação que atuam em nosso território.

Isto já tinhamos expressado anteriormente, em outra de nossas publicações, mas nunca é demais repetir, para que não existam dúvidas do porquê a realização desta pequena iniciativa antiautoritária.

Então, vamos ao assunto, mês de outubro. Xs jovens insurrectxs do Liceo de Aplicación em Santiago fazem as delxs novamente, xs gambés correm apavoradxs depois de uma chuva de coquetéis molotov e um micro-ônibus é parcialmente queimado. Nos dias seguintes, fora da UMCE, anônimxs transformaram em ruínas outro micro-ônibus. Aparecem notas da imprensa na TV, anunciam as clássicas queixas. El Poder não pode acreditar.

Outro fato que causou alvoroço na mídia e nas pessoas nas redes sociais foi a libertação de diferentes animais do biotério da JGM em Santiago, ação realizada por uma célula da Frente de Libertação Animal e da Frente de Libertação da Terra contra o especismo, o confinamento, o maltrato e a morte. Na reivindicação se compreendem os fatos, as reflexões e as posições de luta dxs companheirxs.

Já chegando no final do mês, diferentes grupos de ação dos Núcleos Antagónicos de la Nueva Guerrilla Urbana voltam a ativa. Assim de forma coordenada são colocados dois artefatos explosivos em diferentes sedes de partidos políticos que não explodem por alguma falha. A polícia chegou a realizar suas investigações com helicóptero, fechando ruas, evacuações, horas de trabalho e análises pel GOPE, LABOCAR, enquanto notícias na televisão e nos jornais online, denúncias dos partidos políticos ao Ministerio Público e preocupação de La Moneda antes da realização das eleições presidenciais.

Nos dias seguintes, o Subsecretário do Interior Mahmud Aleuy começõu a coordenar uma reunião para tratar o assunto de “segurança” para as eleições no dia 19 de novembro. Muitxs policiais estarão resguardando as ruas em pontos estratégicos e fixos, como por exemplo, em todas as sedes dos partidos políticos. Por outro lado, cabe apontar o canal 24horas realizou uma notícia intitulada: “Amigos de la Pólvora”: Investigam grupo que estaria por trás dos artefatos explosivos deixados em sedes políticas.

Sem dúvida, o medo mudou de lado, a ANARQUIA torna-se PERIGOSA quando  configurada em TEORIA e PRÁTICA. Isso é demonstrado pelxs companheirxs na luta na rua, incendiando ônibus, libertando animais em cativero, levantando barricadas, atacando xs asquerosxs gambés dos liceos, universidades, até na rua emboscando-xs, arrebentando consulados, colocando explosivos nos inimigxs. Não há dúvidas, irmãxs, a paz dxs exploradores e poderosxsacabou.

“La Bomba”, Pela expansão do Caos e da Anarquia.
Individualidades Anárquicas.
Outubro de 2017, Chile.

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Chile – Hans Niemeyer na rua!

19, novembro, 2017 Sem comentários

via Publicación Refractario


Hans Niemeyer consegue finalmente sair da prisão. Depois de ser preso em novembro de 2011, quando detonou um explosivo em uma agência do banco BCI, ficando com um trauma acústico e foi preso.

Rapidamente, a promotoria constrói um caso envolvendo-o com outros ataques, solicitando quase 19 anos sob a lei antiterrorista:

  • Sob a infração de “colocar um artefato explosivo” (invocando a lei antiterrorista) contra o Banco BCI em 30 de novembro de 2011, ação reivindicada pelo “Grupo de Combate Manuel Gutiérrez”: 12 anos de prisão
  • Sob a infração de “Fabricação” (invocando a lei do controle de armas) do artefato explosivo que teria sido usado para o ataque em 17 de setembro de 2010 contra um poste de alta tensão em Las Condes, ação reivindicada pelo “Comando Alex Lemun”

Depois de um julgamento, Hans foi condenado pela lei de controle de armas + danos, o que, graças a uma equação e malabarismo legal, o condenou a 5 anos + 300 dias para cumprir a sentença na prisão. A intenção do judiciário foi, por um lado, vingar a fuga de Hans de 4 meses após o acordo de prisão domiciliar e também dar um sinal exemplar após os recentes julgamentos em que a lei antiterrorista foi descartada, xs companheirxs que permaneceram na rua sob a lei de controle de armas (Como aconteceu com o companheiro Luciano Pitronello e xs companheirxs Carla e Ivan).

Finalmente, Hans Niemeyer recebeu uma curta redução de sentença a dois meses por cada ano de conformidade, antecipando a data de 12 de fevereiro de 2018 a 14 de novembro de 2017.

Após 5 anos na prisão… bem-vindo de volta à rua!
Para destruir a prisão!

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Santiago, Chile – Sai o Nº 22 da publicação La Bomba

19, novembro, 2017 Sem comentários

via Contra Info

A todxs xs nossxs queridxs leitorxs, em qualquer parte do mundo, assim como a presxs subversivxs do nosso território. Entregamos uma nova compilação, desta vez corresponderá a setembro.

Começamos esta compilação pelas ações que se desenrolaram no mês de Agosto, como por exemplo as diversas manifestações estudantis, que culminaram em fortes confrontos em vários liceus da cidade e nas quais a propaganda anárquica e insurrecional se viu refletida, longe dxs convocadorxs e do institucional. Os cortes de rua com barricadas, as bombas molotov contra a polícia e os panfletos pelos ares, apelavam ao caos e à solidariedade ativa com xs presxs.

No sul, entretanto – especificamente em Concepción – as manifestações contra o gasoduto – que se pretende instalar no mar – estão tomando muita força. Já existem diversas expressões da rejeição a este projeto de devastação (onde xs companheirxs que dão origem ao conflito não recuam). Desta forma, as ruas da cidade são tomadas para expressar o descontentamento e a desordem também se torna uma arma. Assim, os confrontos com a polícia tornam-se a tônica junto às barricadas incendiárias. O fato que provocou agitação na imprensa foi a queima de um automóvel dentro da Universidade de Concepción, no contexto de um desses protestos.

Já no mês que nos corresponde… Setembro Negro… Tomam-se as consciências e as ruas… Cheio de propaganda e ação. Uma nova data, marcando o início da ditadura militar fundada por Augusto Pinochet, o 11 de Setembro de 1973. Início do terror nas ruas, dos desaparecimentos, da tortura e morte. Da criação de organismos dedicados à contra-revolta e à repressão. Claro que, depois desses fatos, várias vontades deram lugar à ofensiva, desenvolvendo táticas de guerrilha, com a firme ideia de derrubar o ditador, para se poder viver livres e felizes. Sob aquela perspectiva, foram várias as organizações a empreenderem aquele caminho de resistência armada e, após anos árduos de confronto, esses sonhos de liberdade foram truncados pelas balas inimigas. Já em tempos de transição à democracia, nos anos 90, os organismos do Estado continuaram a operar, mais balas para revolucionárixs ou a prisão eram o destino dos “extremistas”, tudo isso no governo de Patricio Aylwin. Enquanto essas organizações que lutaram contra a ditadura e a democracia eram desmanteladas, nesses anos, muitxs dxs seus membros não desistiram, continuando fortes na luta, optando por novos caminhos para a subversão.

Essa consciência para cada desaparecidx, muertx e/ou prisioneirx – com o objetivo de continuar a todo custo com a luta, também – é o que muitxs dxs companheirxs atualmente propagam nas ruas, com combates, antes e depois de 11 de setembro, tanto nas universidades, como nas ruas ou nas manifestações, enfrentando a polícia em várias cidades do país, realizando ataques armados, barricadas de fogo, saques, forte sabotagem às estruturas do estado e um contínuo de transbordamentos espontâneo ou coordenados que marcam essas datas. Os anos podem passar, mas ninguém permanece indiferente à história, ninguém esquece, muito menos perdoa.

Após os fatos enquadrados no “11 de setembro” tudo continua, assim deixamos reivindicações provenientes de Santiago e Valparaíso. Para além disso, ações coordenadas por parte das células da Frente de Libertação Animal e pela Frente de Libertação da Terra, em Santiago e na Província de Arauco, assim como outros gestos perpetuados no anonimato, em várias regiões do país.

Finalizamos desta maneira esta nova entrega – antecipada. Recordamos que esta iniciativa é publicada três vezes ao ano, ainda assim não teremos problemas em antecipá-la, sempre que existam mais ações e comunicados extensos – comunicados esses que com muito gosto os integramos no boletim, como forma de apoio aos grupos de ação a atuar no nosso território.

“La Bomba”, Pela expansão do Caos e da Anarquia.
Individualidades Anárquicas.
Setembro 2017, Chile.

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Santiago, Chile – Santiago Maldonado, Presente! (Vídeo)

19, novembro, 2017 Sem comentários

Mural em graffiti pelo companheiro anarquista Santiago Maldonado

Brasil – Operação Érebo a terra se move. Agitações e reflexões anárquicas o vento sopra.

19, novembro, 2017 Sem comentários

via Tormentas de Fogo

Operação Érebo a terra se move.

Agitações e reflexões anárquicas o vento sopra.

No amanhecer do dia 25 de outubro de 2017 o tempo fechou para os/as anarquistas de Porto Alegre. A policia Civil com a Operação Érebo pôs em marcha invasões e assaltos televisionados pela mídia local e transmitidos pelos autofalantes do sistema em volume máximo.

A partir desta reação policial, do show e escrache midiático, e da agitação na órbita anarquista mil e uma necessidades, urgências, ideias, impulsos e sentimentos nos atravessaram. Desta reflexão nasceu esta vontade de comunicação. Apontamos nossa determinação contra o inimigo e firmamos o passo com quem faz viver a anarquia em suas posições e práticas.

Nossa natural tendência ao caos.

Somos, existimos e agimos para além do Estado, as leis e a democracia. Procuramos e espalhamos autonomia, mas sabemos que ela não se consegue negociando com o poder1.

Herdeiras/os das lutas pela liberdade e pela terra, dos guerreiros que ainda nos ensinam que se pode existir de várias maneiras para além da sociedade imposta. Sentimos uma inconformidade que persiste e insiste.

Olhando desde esta beira do rio, a democracia é só mais uma forma (atual) em que a civilização domina, mata e tenta apagar formas de existência que vazam da ordem militar e da obediência cega. Ainda mais, essa democracia que se apresenta como “o” valor de moda. E muitos caem cegos, ou ofuscam os olhos pelo seu brilho. Mas quem ama ser livre sabe que é só uma forma de governar e a vida é ingovernável, como os rios que mudam seu andar, como os animais que atacam seus domadores, como os povos que não se “vendem” ao trabalho escravo da sociedade ocidental. Assim a democracia é um ideal incompatível com quem não se deixa governar.

Suas máximas, os direitos, são ferramentas de colonização e de um humanismo que ainda distingue humanos de primeira, segunda, terceira, e mais categorias. Pode alguém defender isso?

Suas punições, as leis, são correntes que alguns adoram, mas que punem e marcam a quem tendo fome rouba e não mendiga.

A negociação com esse mundo é impossível, nossa relação com ele só pode ser o antagonismo2.

Tentam dominar e não podemos deixar de lutar contra isso, sem trégua. Nessa tendência instintiva à liberdade sem regras nem ordem, reconhecemo-nos no caos da anarquia.

A busca por anarquia é por si só um desafio ao poder. Todas as perspectivas da anarquia se propõem a desmantelar as instituições do poder. Podem ter desencontros de como fazê-lo, mas todo anarquista quer os Estados, corporações, suas instituições e valores em ruínas. Disto acreditamos não estarmos enganados. Desta forma o desejo pela anarquia na democracia é por si criminoso.

Não estando no código penal, o anarquismo e a afinidade com ele não são efetivamente crimes. O que nos dá uma margem de ação e deixa mais liberdade para se identificar com ele. Mas a corda dessa liberdade não é muito cumprida.

A chave que desfez o mistério. Plantas exóticas e agitação anárquica.

A ideia de que seres alienígenas chegam trazendo o “mal” é um mecanismo de controle e repressão antigo. Desde a Europa, vários compas anarquistas, expulsos ou foragidos, chegaram neste continente. Aqui eles foram detectados e catalogados como plantas exóticas, inços de ideias e ações perigosas.

Na última década do século XIX os senhores do poder já expulsavam anarquistas considerados nocivos para a “paz social”. Ou seja, seres indomáveis, feras que não se submetiam às leis e à ordem que garantem a exploração. Recordamos de Giuseppe Gallini que junto a outros companheiros agitadores na cidade de São Paulo foram presos e expulsos. Lembramos também de José Saul, expulso da cidade de Pelotas por ser um agitador anarquista. Mesmo destino tiveram vários outros compas anárquicos.

Em 1907, em resposta a crescente agitação social (revoltas, greves, organizações autônomas dos trabalhadores) e a também crescente presença anarquista, o Estado brasileiro endurece as políticas de expulsão contra os indesejáveis. Costurando uma nova fantasia jurídica para seus bailes repressivos, a lei Adolpho Gordo.

Quando os governantes, juízes e policiais afirmam, desde 1800 até agora, que os anarquistas somos plantas exóticas, propiciam sentimentos de xenofobia, e também constroem a imagem de uma suposta “passividade” nativa.

As políticas de expulsão e escrache contra aqueles que trazem a “teoria do caos”3 era e continua sendo um mecanismo de dispersão de encontros combativos. Segundo estas, a agitação anárquica seria exótica e poderia ser arrancada jogando os inços fora do Jardim.

Uma coisa é certa, os e as anarquistas chegaram de barco e continuam chegando por várias trilhas, no entanto, o impulso anárquico e o combate a dominação4 estão nestas terras desde tempos imemoráveis. O desejo de liberdade não tem época, pátria nem fronteiras e, anárquicos como somos, não reconhecemos a repartição do mundo em países, em Estados. A debilidade que teríamos ao pensar o mundo dividido em linhas artificiais nos deixaria doentes, sem a capacidade de reconhecer a terra com seus limites próprios e mutáveis, montanhas, rios, florestas, quebradas.

Assim, também, não reconhecemos que nossos companheiros sejam pertencentes a um ou outro pais, nós somos anarquistas e companheiros pela afinidade que temos em oposição ao controle e dominação. Não temos pátrias nem bandeiras e estamos longe de nos deixar nortear por sentimentos nacionalistas que só paqueram com o fascismo. O mundo é nosso porque com ele somos, e pela terra que habitamos sentimos nojo do progresso.

Além do mais, as ações recolhidas nas Cronologias da Confrontação Anárquica5 estão muito longe de serem alienígenas ou desorientadas dentro do contexto atual do território controlado pelo Estado brasileiro, como podemos constatar.

Os partidos políticos PSDB, PSB, PSD, DEM receberam visitas anárquicas6. O agronegócio, devastador da terra e dos povos, foi atacado com incêndio ao Banco Bradesco, a destruição de mudas de eucalipto e também barricadas incendiarias e bloqueios de estradas em território em luta com a civilização.

Também a militarização da vida foi nitidamente rechaçada com o ataque da Galera do Pixo do Triangulo CAV do Terror ao monumento da louvação da guerra nos arcos da Redenção, com a parcial destruição pelo Grupo de Hostilidades Contra Dominação do monumento do Batalhão de Suez/ONU avôs dos que hoje militarizam o Haiti, e com o ataque dos Vândalos Selvagens Antiautoritários que contribuiu para a retirada do tanque de guerra exposto como monumento na avenida Ipiranga.

Várias dessas ações foram, intuímos, incompreensíveis para a lógica da competição pelo poder. Eram ações que nada pediam nem demandavam. Só agrediam à dominação. Até que apareceu a chave que desfez o mistério (segundo o telejornal Fantástico), as Cronologias da Confrontação Anárquica e a publicação Bem-vindo ao Inferno.

Maldita literatura anarquista!

Os livros que estão na mira da polícia, além de difundir uma idéia, falam de ações reais. Eles coletam e apresentam várias peripécias e ousadias de alguns indomáveis. Vários bandos que bateram contra o que sentiam que oprime. Livros que um amante do controle e da submissão jamais gostaria de ver difundidos. É por isso que estes livros são livros abomináveis para as autoridades, mas também por isso, são livros de alta consistência insubmissa.

Na caminhada anárquica, vários exemplos deste tipo de perseguição literária dentro das democracias vem nos ensinando que escrever sobre a confrontação é tomado como uma afronta pelo poder. A publicação O Prazer Armado, escrito por Alfredo Maria Bonanno, provocou sua detenção na Itália e anos depois sua edição e impressão foi uma das “provas” de acusação contra o companheiro anarquista Spyros Mandylas e a Okupa Nadir na Grécia. No mesmo continente, na Espanha, o livro Contra a democracia foi usado como prova de uma suposta participação em uma organização catalogada como terrorista pelo Estado espanhol, que teve como resultado várias invasões, detenções e operações contra os compas, as quais nos permitiram solidarizar com elas, nos aproximar e nos fortalecer na procura de liberdade e na certeza de que estamos em planos antagônicos de vida, os que amamos a liberdade e aqueles que são capazes de encerrar, isolar, controlar horas de sol e formas de contato.

Ontem como hoje a busca por anarquia impressa em palavras sobre o papel tem sua potência de difusão e inspiração. Pânico para as autoridades de plantão que reagem com agressões assaltos e seqüestros.

Em 1969, no Rio de Janeiro, os militares destruíram e assaltaram o espaço de agitação dos anarquistas, o CEPJO (Centro de Estudos Professor José Oiticica), roubando ainda uma vasta biblioteca na residência do anarquista Ideal Perez. Além de roubarem os escritos originais do livro Nacionalismo e Cultura que estava por editar o anarquista Edgar Rodrigues, o qual para reavê-lo o comprou de volta dos repressores.

Em 1973 em Porto Alegre o DOPS (Departamento de Ordem Político e Social) chefiado pelo delegado Pedro Seelig invadiu a Gráfica Trevo, uma gráfica conduzida por anarquistas que, para além de impressões comerciais, imprimiam os jornais anarquistas que circulavam na época: O Protesto, vendido nas bancas de revistas de Porto Alegre e o jornal Dealbar, editado pelo anarquista Pedro Catalo, difundido em São Paulo. Também imprimiam livros editados por sua editora Proa. Nesta ocasião do assalto policial foram destruídos praticamente toda a impressão do livro O futuro pertence ao socialismo libertário e confiscado originais de futuras edições. Nesta tempestade casas particulares foram destroçadas e vidas foram sadicamente agredidas.

Malditos são nossos livros, jornais, escritos. Malditos somos os que tem a coragem e ousadia de escrevê-los, editá-los, traduzi-los, imprimi-los, difundi-los.

O Estado, a polícia, a democracia …

Não precisa de provas para perseguir anarquistas.

É sabido que nas perseguições a anarquistas não se precisam provas. Os livros foram o único fio que puderam segurar para apontarem a alguns que desde a agitação e propaganda incomodaram.

Sem provas mas não sem justificação, a reação do poder tem sua justificação sim. E essa justificação paradoxalmente é nosso maior sorriso. Saber que alguns bandos anárquicos bateram no poder só pode valorizar nossa posição já que manifesta antagonismo. Se nós nos chamamos anarquistas é porque não admitimos autoridade em nossas vidas nem na terra, assim o antagonismo à ordem imperante é um indicador básico de estar seguindo a trilha que dizemos seguir.

A Operação Érebo “procura dar com os autores dos ataques”, ou seja persegue ações mas parece ir atrás de ideias. Farejando literatura ácrata e pegando amostras das tendências, diversas, da anarquia. Confundindo a propaganda escrita com a propaganda pelo fato.

A propaganda escrita põe em evidencia algo que pareceria que queriam manter em segredo: que o poder pode apanhar dos anarquistas.

Temos claro que se se persegue as posições antiautoritárias é porque não se queimaram bancos, viatura e igrejas por piromania mas pela rejeição ativa e combativa à mercantilização da vida à punição e ao controle. E quando falamos disso não é em tom de denuncia mas como grito de alegria. É ai onde as ideias e afinidades “pesam”. Somos vários, todos, alvos na mira repressiva. Então na tormenta, no olho do furacão, ou flertamos com a passividade sistêmica nos maquiando de leis e direitos ou saímos mais fortes gritando que viva a anarquia contra toda forma de poder.

Luz câmera e ação. O show midiático.

A televisão tem uma força avassaladora no Brasil. É uma referência na vida das pessoas para entender seu entorno, criar prioridades, ter uma posição. Não é um exagero afirmar que a TV adestra as pessoas, manipula vidas, abertamente realiza experiências no comportamento das pessoas a partir dos estímulos que emitem suas ondas, em suas notícias propagandas e novelas.

Quando falamos da TV alinhamos junto seus jornais impressos, faces de um mesmo corpo, como: Zero Hora-RBS.TV/Globo7. Estes junto ao Correio do Povo e SBT8 protagonizaram associados licitamente à polícia a vingança do poder contra os anarquistas.

Se a TV é o controle à distância para os cidadãos saberem quem são os “novos inimigos da paz social”. Para os inimigos, ou seja para nós anarquistas, o show pretende ser o ventilador que espalha o medo. Cenas criadas toscamente como o encapuzado lendo a Cronologia ou os molotovs de garrafa pet e a polícia quebrando portas ao grito de “policia!”, querem mandar o recado da perseguição, querem provocar o medo em nosso bando e ainda em uma investigação que diz ser de sigilo, escracham e deixam em evidencia os “suspeitos”.

Trata-se de um linchamento midiático e certamente para quem não procura diálogo com a ordem social isso tem um peso. Abundam os comentários que se somando ao linchamento pedem fotos dos suspeitos ou reclamam por desvincular suas vidas de algo que uma vez retratado como o “mal” tem que ser banido e afastado para não poluir sua impecável vida cidadã.

Analistas políticos e juristas deram o toque ilustrado para espalhar o medo com “fundamentos”. Os anarquistas podem ou não serem julgados pela lei antiterrorista? Foi o debate apresentado por eles no show. Para além das úteis aulas que deram sobre o tema no Fantástico, mostraram que junto das forças repressivas os sábios da sociedade também colaboram com a criação do novo medo social. Não se trata mais de uma nota policial, agora é um tema social, jurídico, político, filosófico.

Os alcances desta confabulação podem ser maiores, o medo pode calar todo tipo de dissidência. Assim, o show serve para acalmar possíveis protestos e inconformismos com a genocida forma de governar da democracia.

Sabemos que os anarquistas e os povos fora da civilização e marginais tem um antagonismo que ficara depois do show. Mas, as outras dissidências se apressaram em se branquear como obedientes cidadãos? O medo penetrara até os ossos dos que se chamam rebeldes?

Entre nós não. Este texto assim como outras manifestações parecem afirmar o rechaço contra a dominação e não se deixar abater pelo medo.

O show vende e compra. Comprou a premissa no leilão policial da Operação Érebo. E vende. Sabemos que as notícias não são a toa, são jogadas pensadas no tabuleiro da dominação, visando fins específicos. É claro, eles nos dirão serem imparciais, portadores da justa visão dos fatos, da verdade.

Não existe mídia da livre expressão. A associação entre a mídia, polícia e justiça são profundas para punir todos que não dançam sua música.

Anarquistas.

Novembro de 2017.

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Nosso salve pra aquelxs que não deixaram passar o vento sem o sopro da solidariedade:

A aqueles seres que fizeram uma manifestação solidária na grande ilha do Pacifico

Axs compas que mandaram solidariedade desde o outro lado da cordilheira dos Andes.

A compa que mando a poesia para os perseguidos desde a rebelião das palavras

A todxs que não se mantiveram quietxs.

Todas essas ações se fizeram sentir.

1 Distanciamo-nos da ideia de que o poder é bom ou ruim dependendo de quem o exerce. Brindamos com Bakunin “Todo poder corrompe”.

2 Usamos a palavra antagonismo para expressar a incompatibilidade da anarquia com o poder e a dominação.

3 Palavras do delegado Jardim no jornal do almoço na manha do dia 25 de outubro de 2017, tentando definir os/as anarquistas investigados.

4 Tomamos a referência da posição contra a dominação de alguns dos comunicados que reivindicam os ataques que detonaram a Operação Érebo. O combate á dominação, segundo estas ações, não se trata de um antagonismo que priorize uma linha (classe, raça, gênero, defesa da terra), mas de um antagonismo em conflito com isso tudo e ainda mais, contra as sutis e complexas formas de controle e domínio.

5 As Cronologias da Confrontação Anárquica, são dois dos três livros que estão no foco da Operação Érebo.

6 Segundo as Cronologias da Confrontação Anárquica ações de ataque reivindicadas quanto não reivindicadas (conhecidas só pelas notícias) apresentam o princípio anárquico se agem em antagonismo com as instituições do controle e da dominação. Os partidos, neste caso, são os principais contendentes na procura de governar, controlar e mandar na população e no território.

7 A empresa Zero Hora-RBS.TV/Globo no processo instaurado contra o Bloco de Lutas nas agitações de 2013 dispôs até de repórter como testemunha de acusação.

8 Na manhã do dia 25/10/2017 somando-se ao show televisivo o repórter Thiago Zahreddine, da empresa SBT, apresentou a mistura aberrante dos anarquistas investigados como neonazistas, em suas palavras: “Se definem como vândalos de ideologia neonazista afim de enfrentar todo tipo de autoridade”. Tendo em conta a receptividade das pessoas ao que lhes diz a TV, essa aberração vai para além da estupidez do repórter.

Valparaíso, Chile – Jornadas Anárquicas

18, novembro, 2017 Sem comentários

Recebemos no correio eletrônico, traduzimos e difundimos este convite dxs compas de Alimapu (Valpo), que estão na correria desta jornada na região $hilena.

Segue abaixo a transcrição do convite e os cartazes.
Mais informações sobre as atividades e seus cronogramas em:
encuentroanarquicovalparaiso.wordpress.com

Boas Jornadas manxs!

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Convite às Jornadas Anárquicas Valpo 2017

As Jornadas Anárquicas nascem de iniciativas individuais e coletivas em Valparaíso, para propor um local de encontro para práticas e ideias anti-autoritárias, estas jornadas serão realizadas de 21 a 26 de novembro em  diferentes espaços e de diferentes temáticas para aprofundar as posturas e práticas anárquicas. O objetivo é atrair a fraternidade e a auto-aprendizagem, gerar a comunicação entre diversas experiências e lutas em relação à expansão da revolta.

Este ano tem sido agitado na luta contra o poder, tanto interna como externamente, a realidade se faz confusa, o avanço dxs inimigxs continua a atacar sem escrúpulos todx rebelde e comunidade em resistência. Nesse contexto, nós somos habitantes de uma Valparaíso que vive a catástrofe do capital: com sua gentrificação e turismo da decadência cultural da mercadoria, com a expansão do porto, a multiplicação de câmeras de vigilância, a xenofobia e a polícia. Em tempos de eleições, o circo é evidenciado de sua maneira mais ridícula e arrogante. A democracia e sua retórica de merda infectam os posicionamentos cidadãos e partidários. A IIRSA COSIPLAN avança com seus projetos por todo o hemisfério sul; mas, por sua vez, as diversas críticas e práticas de ação direta e solidariedade também tomam com mais força e presença; nunca esquecendo que princípios, meios e fins não devem se confundidos, enfatizando as contradições, agitando a revolta e as idéias anti-autoritárias.

São tempos difíceis, mas as convicções seguem intactas. Hoje, mais que nunca precisamos desenvolver nossas posturas, nossas formas de organização e idéias de liberdade; em tempos de guerra, o que nos resta é a irmandade, nossos princípios e práticas, a auto-aprendizagem e o companheirismo. Na tensão do conflito desencadeado é que os
posicionamentos emergem, de diferentes leituras e indivíduxs; porque este sistema quer a submissão é que apelamos para a rebelião, na memória histórica de luta anti-autoritária. Sempre é hora para nos rebelar: é aí onde vive a anarquia, no lado indômito de nossa luta, inimigo acirrado do poder, sem pactos nem mesquinhez, sem mentiras nem dupla intenção. É por isso que consideramos necessário multiplicar os momentos de encontro, onde se aproximem experiências e perspectivas, fraternidade e companheirismo. Que nosso espírito rebelde não se apague, que a fraternidade viva na anarquia e que destruíamos a autoridade. Às vezes, é bom tomar um ar, ver de que lado avança e acender o pavio; outras vezes, parar, contemplar o local e se encontrar com seus pares: conspirar e se retroalimentar. Porque o capital e o estado seguem impávidos com seus lacaios servis, que os conflitos se expandam por todos os cantos onde exista autoridade.

Porque lembramos dxs compas que se foram: El Brujo, Chente e Zorrita.
Porque não esquecemos dxs sequestradxs pelo estado.

Convidamos todxs aquelxs que querem e sentem a necessidade de se encontrar, auto-aprender, e se solidarizar com as lutas anárquicas.

Alimapu, Primavera de 2017

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