Atenas, Grécia – Poderosa bomba explode no Tribunal de Apelações

2, janeiro, 2018 Sem comentários

ATHENS

22.12.17: Uma poderosa bomba explodiu fora do Tribunal de Apelações de Atenas nas primeiras horas da manhã de sexta-feira, causando danos consideráveis ao edifício e forçando o tribunal a fechar no dia com todos os casos suspensos. Ninguém foi ferido no bombardeio.

Uma chamada alertou a polícia, deu 40 minutos para evacuar o tribunal e a área circundante que se encontra próxima da sede da polícia de Atenas.

Uma testemunha disse que viu duas pessoas subindo numa moto e colocando uma bolsa contendo a bomba fora do tribunal. Também foi relatado que os atacantes dispararam contra a segurança do tribunal enquanto escapavam.

Recentemente, o Tribunal de Apelações de Atenas tem sido o centro de atenção dxs manifestantes que tentaram impedir que o tribunal leiloasse casas em desuso, às vezes por somas de menos de 2000 euros. O ataque ocorreu algumas horas depois de que o Parlamento votou para reprimir xs manifestantes que se reúnem regularmente no tribunal.

Até o momento, nenhum grupo ou indivídux reivindicou a responsabilidade do ataque.

(informações coletadas de várias fontes da mídia corporativa e independente)

Fonte: Sin Banderas Ni Fronteras
Tradução: Turba Negra

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Países Baixos – Cartaz por um Dezembro Negro em Tilburgo

2, janeiro, 2018 Sem comentários


20.12.17: No início deste mês, o texto “Chamada por um Dezembro Negro” foi difundido. Algumxs anarquistas em Tilburgo tomamos esta chamada e a pusemos em prática.

Por um Dezembro Negro

Numa realidade de escravidão assalariada, superprodução e consumo excessivo
Numa realidade de fronteiras, militarismo, autoridade e religião
Numa realidade onde a caridade, a apatia e o desespero parecem ser a única resposta

Numa realidade em que tanto a esquerda como a direita nos mantém presxs, vamos ao ataque contra todos os opressores e suas intenções no mês de dezembro
Vemos a polícia assassina
Vemos a violência racista
Vemos um sistema econômico e a sociedade carcerária

Mas não só continuamos vendo
Somos xs que estão em todo o mundo
Com solidariedade através da luta

Por um mundo de liberdade ilimitada
Por um dezembro negro
Pela anarquia

Fonte: Sin Banderas Ni Fronteras
Tradução: Turba Negra

Estados Unidos – Dezembro Negro – A memória é uma arma

2, janeiro, 2018 Sem comentários

BlackD17
“Quanto aos setenta e cinco anos, não estou realmente preocupado, não só porque tenho o hábito de não completar sentenças ou esperar a liberdade condicional ou qualquer dessas besteiras, mas também porque o estado simplesmente não vai durar setenta e cinco ou mesmo cinquenta anos”
Kuwasi Balagoon, 09 de dezembro de 1983.

“Axs amigxs e pessoas que ajudaram a dar sentido a todos esses eventos que aconteceram tão rápido. Certas culturas humanas travaram uma guerra contra a Terra por milênios. Escolhi lutar do lado dos ursos, dos leões das montanhas, dos zorrilhos, dos morcegos, dos saguaros, das rosas e todas as coisas selvagens. Sou apenas a mais recente casualidade nessa guerra. Mas esta noite fugi da prisão: estou voltando pra casa, à Terra, para minhas origens”
William “Avalon” Rodgers, 21 de dezembro de 2005

A memória é uma arma, que muitas vezes negligenciamos a brandir nas nossas batalhas. É fácil, presxs como estamos nas marés do progresso, esquecendo o que e quem veio antes que nós e queimou caminhos que agora servem como marcadores para xs insurgentes. Esquecer é se perder numa floresta. Esquecer é não ter história.

O ato de lembrar é um gesto desafiador. Contra nossa lobotomização pela tecnologia. Contra a esterilização da história pelas escolas do estado. Contra a pacificação de vidas revolucionárias pela história oficial e suas narrativas de progresso. Contra a amnésia que poderia apagar os exemplos daquelxs pagaram a liberdade com suas vidas. Para começar a lutar contra esta sociedade, sua podre autoridade e suas ideologias venenosas, devemos primeiro lembrar.

Dezembro nos pesa muito, mas também acende fogos inextinguíveis.

Nos lamentamos por Alexandros Grigoropoulos, anarquista de 15 anos assassinado pela polícia em dezembro de 2008 em Atenas, cuja morte desencadeou semanas de guerra aberta contra o estado grego.

Nos entristecemos por Sebastián Oversluij, “Angry”, anarquista irreprimível assassinado em 11 de dezembro de 2013 por um cão pago de um banco enquanto tentava expropriar dinheiro em Santiago de Chile.

Estamos furiosxs pela morte na prisão de Kuwasi Balagoon em dezembro de 1986: ex-Pantera Negra, soldado do Exército de Libertação Negro e anarquista africano.

Queimamos a noite para despertar o espírito de William “Avalon” Rodgers, libertador da terra que se suicidou no solstício de inverno de 2005, enquanto estava na prisão acusado de levar fogo aos saqueadores da natureza.

Para honrar essxs lutadorxs, não só choramos. Não só dobramos nossas mãos e lamentamos a brutalidade do estado contra nossxs companheirxs. Não nos assustamos com suas mortes. Nós agimos.

Mantemos com vida suas lutas ao continuar lutando. Seja qual for os nossos meios, qualquer que seja nosso contexto: através da rebelião intransigente, os corações de nossxos companheirxs ainda batem.

Por Alexandros e Angry
Por Kuwasi e Avalon
Por toda a natureza

Baixe o arquivo em pdf original em inglês.

Fonte: Sin Banderas Ni Fronteras
Tradução: Turba Negra

Chile – SEBASTIAN OVERSLUIJ PRESENTE!

2, janeiro, 2018 Sem comentários

Recebemos via correio eletrônico, traduzimos e  difundimos o panfleto em memória do companheiro Angry.

*****

SEBASTIAN OVERSLUIJ PRESENTE!
EM CADA AÇÃO OFENSIVA CONTRA O PODER

Hoje voltamos a cruzar com o Angry desde o companheirismo, a irmandade e a amizade, tornando-nos cúmplices na memória, levantando uma memória anti-autoritária e combativa, lembrando Angry como um companheiro de luta, um amigo e um irmão, quatro anos depois de sua morte sob as balas de um mercenário do capital em meio de uma tentativa de expropriação bancária.

Reivindicamos uma memória que põe em perigo os planos do poder e alimenta nossas convicções de luta pela libertação total.

Cruzar os passos com Angry no transitar anárquico nos permite projetar sua vida até o presente, dialogando e tensionando suas vivências e reflexões com as nossas, conectando sua individualidade com o coletivo, vagando juntxs no caminho comum onde as idéias entre afins se materializam em projetos concretos de agitação anárquica e ação liberadora.

Angry algumxs conhecíamos em vida, outrxs fizemos através de seus escritos, de suas ações e das iniciativas de memória que surgiram no entorno dele.

Hoje, quatro anos de sua última ação de combate, ativamos conjuntamente a memória para que o companheiro não seja esquecido. Recordamos Angry em suas múltiplas dimensões pessoais e políticas, reconhecendo nele a expressão criativa das idéias através do desenho, a música, a escrita, a tensão pela conseqüência entre palavra e ação, e a luta multiforme em uma constante prática de agitação e ação de confronto.

Tudo isso nos aproima de sua vida desde diversos fluxos de afinidade e companheirismo em um cotidiano de luta contra o poder, projetando em nossa luta a vigência das idéias do Angry, pondo em contato as experiências e aprendizagens do passado com xs do presente para deixar claro que com a morte de umx companheirx a luta não morre, que a anarquia seguiu e segue viva em nossas ações e projetos atuais.

A nossa é uma memória iconoclasta que destrói a figura dx personagem heróicx ou extraordinárix. É uma memória da luta multiforme que lembra a vida do companheiro com suas contradições, afirmações, trânsitos e múltiplas decisões de luta, incluindo aquelas que o levaram ao longo de sua vida a praticar a ação direta e usar uma arma para expropriar o dinheiro de um templo do capital.

A nossa é uma memória negadora e perigosa, é uma parte da ação que busca destruir a autoridade, reforçando nossa identidade individual/coletiva como negadorxs do poder e da sociedade em ofensiva contra toda forma de dominação.

Nossa memória é um ato que dá sentido e se (re)afirma em um presente de luta, mantendo vigente uma promessa de guerra com a qual avivamos – como Angry fez – o fogo das individualidades anárquicas que influem na realidade, abrindo caminho para a Libertação Total em múltiplos espaços, projetos e ações de luta contra a autoridade.

PELO ANGRY.
POR CADA COMPANHEIRX.
FAÇAMOS DA MEMÓRIA UM ELEMENTO PERIGOSO NA LUTA CONTRA O PODER.

Anti-autoritárixs afins ao Angry. Dezembro 2017

Baixe o arquivo em pdf original em espanhol.

Filadélfia, Estados Unidos – Dezembro Negro: Caixas rápidos sabotados

2, janeiro, 2018 Sem comentários

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Na celebração do Dezembro Negro, algumxs anarquistas na Filadélfia decidiram dar um passeio de inverno pelo centro e pôr um freio no comércio do capitalismo de merda de quase todos os caixas rápidos no coração financeiro da cidade.

Pegamos papelões não ondulado cortados na largura de um cartão de banco com supercola aplicada de um lado, e colocamos na ranhura para cartões da máquina ou na ranhura para a entrada da cabine. Foi surpreendentemente fácil fazer e atingimos mais de 50 alvos!

Este ataque foi muito discreto! Todo o que precisávamos era vestir o traje de inverno normal para uma noite abaixo de zero (rostos cobertos, luvas, etc.), limpar nossas ferramentas e caminhar com a confiança segura dos entediantes yuppies. Esta época do ano tem um clima excelente para parecer despretensioso e ocultar sua identidade enquanto realiza todo tipo de atividades ilegais, por isso não tenha medo de tentar isso em casa! Nos sentimos super relaxadxs e produtivxs!

Este ataque foi realizado com a memória de Scout Schultz* e Alexandros Grigoropoulos em nossas mentes, e é dedicado à todxs aquelxs que resistem à repressão estatal.

Pela morte do capital e a recuperação de nossas vidas!
Dinheiro é morte, sabotagem é diversão!
Iluminemos essas noites escuras de inverno com um grande foda-se para vocês sabem quem!
Que as chamas ardentes da anarquia nos aqueçam este e todos os invernos!

Feliz Dezembro Negro para vocês.

*****

Scout Schultz, anarquista, antifascista e ativista queer assassinada em setembro de 2017 pela polícia em um incidente na universidade onde estudava em Atlanta. Mais info em
https://crimethinc.com/2017/10/05/scout-schultz-remembering-means-fighting-mourning-a-queer-activist-and-anarchist-murdered-by-the-police

Fonte: Sin Banderas Ni Fronteras
Tradução: Turba Negra

Santiago, Chile – Veredito do “Caso bombas II”: Juan Flores condenado, Nataly e Enrique absolvidxs

31, dezembro, 2017 Sem comentários

Ontem os juízes autodefinindo-se como representantes do poder, da bondade no mundo e custodiados pelas leis e códigos penais atacaram com suas sentenças aquelexs que desafiavam a ordem estabelecida. Assim como as guilhotinas baixavam, as descargas elétricas desatavam, as forcas espremiam sobre aquelxs irredutíveis depois de grandes processos inquisitórios.

Hoje os tribunais de justiça pretendem despedaçar em anos xs companheirxs na prisão, destruir com a aparente limpeza e de forma acética a vida daquelxs que levantam a cabeça contra esta ordem.

Em setembro de 2014 a promotoria  inicia o processo contra distintxs companheirxs pelos atentados explosivos contra delegacias e lugares vinculados ao metrô. A promotoria processa finalmente Juan Flores, Nataly Casanova e Enrique Guzman sob a lei antiterrorista num longo processo de mais de 3 anos de prisão preventiva e cerca de 9 meses de julgamento.

Hoje, 21 de dezembro de 2018, três indivíduos autodefinidos como superiores ao resto voltaram a se armar de códigos judiciais, leis para decidir que aceitariam e sobre os delírios propostos pelos perseguidores representados tanto pela promotoria, o ministério do interior e vários querelantes particulares ansiosos por cadeias perpetuas, castigos, sentenças e embargos.

Um ritual que legítima, valida e inclusive define sua própria autoridade, finalmente o veredito foi o seguinte:

*Metro Los Dominicos*
Delito principal qualificado como danos + lei de controle de armas: Juan condenado, absolvidxs Nataly e Enrique

*1a Delegaciaa*
Delito principal qualificado como danos + lei de controle de armas:
Juan, Enrique e Nataly absolvidxs

*Sub Centro*
Delito principal qualificado como atentado terrorista: Juan condenado

*Posse de pólvora*

Delito de controle de armas: Juan e Nataly absolvidxs.

Então a situação particular de cada companheirx ficou da seguinte forma:

Nataly e Enrique: absolvidxs de todas as acusações.

Juan Flores: culpado de (Metro Los Dominicos), porte e detonação de artefato explosivo + danos + 6 lesões menos graves e (Subcentro) colocação de artefato terrorista + dano moral.
 
Pela primeira vez o tribunal utiliza a lei antiterrorista para condenar, depois de uma série de rechaços nos anteriores processos (Caso Bombas, contra Victor Montoya, contra o companheiro Luciano Pitronello, contra o companheiro Hans Niemeyer, entre outrxs) às pretensões da promotoria este veredito é chave e histórico nesse aspecto, validando o uso da lei antiterrorista nesta última década.

No veredito também ficou evidente as contínuas incongruências, contradições e delírios científicos dos peritos de DNA que acabaram sendo inconduzentes a qualquer resultado no tribunal. A besteira da polícia científica da LABOCAR somente comprovou o uso intencionado e direcionado das  perícias para sustentar as teses dos acusadores.

Finalmente em 15 de março de 2018, será realizada a leitura da sentença, onde será entregue os detalhes do veredito, além da quantidade de anos de condenação para o companheiro Juan Flores, na tarde de hoje xs companheirxs Enrique Guzman e Nataly Casanova abandonaram a seção de segurança máxima e a prisão de San Miguel, respectivamente.

Com aqueles antecedentes tanto a promotoria como a defesa, resolverão se tentaram a nulidade do processo.

Nataly e Enrique: Bem-vindxs de volta à rua com todo o carinho de famílias, filhxs, amigxs e companheirxs!

Toda solidariedade insurrecta com o companheiro Juan Flores!

Abaixo a lei antiterrorista, abaixo o Estado policial!

—–

Atualização sobre o companheiro Enrique Guzman

Ontem, logo depois de ter saído da prisão, o companheiro Enrique foi novamente detido.

Isso pelo afã da parte acusadora que o acusou de ameaças a um dos advogados da parte querelante.

Enrique passou pelo controle de detenção por volta das 11 horas, onde ficou com ordem de restrição mas não conseguiram  a prendê-lo novamente.

Fontes: Publicación Refractario e Frente Informativa

Roma, Itália – 06 carros da companhia de energia ENI queimados dia 01/12

21, dezembro, 2017 Sem comentários
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Roma, 1 de Dezembro.

06 carros compartilhados da Eni-Trenitalia [desenvolvido pela companhia de gás e petróleo em parceria com a Fiat e a Trenitalia, principal operadora de trem pertencente ao governo italiano] pelo seu envolvimento na Líbia.
Vamos atacar a ENI em todos os lugares.

Solidariedade axs detidxs e axs acusadxs na Operação Scripta Manent em Florença, axs companheirxs atingidxs pela repressão pelos carros de polícia incendiados na França e na Polônia, axs acussdxs do Passo do Brennero e para todxs aquelxs que não se dobram para essa podre existência. Uma saudação à Krem na solitária.

Santiago, Chile – Atentados incendiários contra agências bancárias em memória do companheiro Sebastián Oversluij

21, dezembro, 2017 Sem comentários

Durante a madrugada de 14 de dezembro de 2017, mãos anônimas agiram de forma evidentemente coordenada depositando distintos artefatos incendiários em agências do Banco Estado na cidade de Santiago.

O primeiro artefato incendiário foi encontrado numa agência do Banco Estado localizada no número 28 de gran avenida, por volta das 02:00 da manhã, ao ser descoberto por um transeunte que haveria entrado para utilizar o caixa. Rapidamente mobilizaram a polícia, GOPE, Labocar e membros do Ministério Público Sul. Mas a noite estava apenas começando…

Na comuna de Maipu, a agência do Banco Estado na rua Alfredo Silva Carvallo 1774 começa arder desde seu interior produto da ativação de um artefato incendiário, tendo que ser acudido pelos bombeiros para apagar as chamas do incêndio.

Finalmente na comuna de Pedro Aguirre Cerda, especificamente na avenida central com Calbuco, um terceiro artefato incendiário foi desativado pela polícia.

Segundo assinalado pela imprensa e pela polícia, os artefatos eram compostos por garrafas de combustível, pilhas e um sistema de relógio. A causa novamente é levada pela “Promotoria metropolitana sul”, dedicada a ataques explosivos e incendiários.

A intendência metropolitana, por sua vez, queixou-se, e assim declara Claudio Orrego: “Vinculadas (os artefatos incendiários) aparentemente com a morte de um anarquista. A verdade que independente da causa, a violência e uso de artefatos explosivos, nos parece absolutamente fora de lugar num sistema democrático como o nosso. Nós vamos nos queixar nesses três casos e a promotoria já está iniciando as investigações através da OS9 de carabineros”.

Nos três ataques incendiários foram encontrados panfletos em memória e lembrança do companheiro anarquista Sebastián Oversluij, os quais não foram difundidos ou mostrados pela imprensa. Recordamos que o companheiro anárquico-niilista Sebastián Oversluij participou no assalto bancário a uma agência do Banco Estado na comuna de Pudahuel em 11 de dezembro de 2013, depois de entrar no templo da acumulação capitalista armado com uma submetralhadora o miserável guarda do banco William Vera repele o assalto assassinando o companheiro anarquista.

Vídeo da imprensa: 24 horas.

Santiago, Chile – 21 de dezembro, concentração em solidariedade com Juan, Nataly e Enrique

21, dezembro, 2017 Sem comentários

Fonte: Publicación Refractario
Tradução: Turba Negra

Abaixo a indiferença!
Solidariedade não é uma palavra vazia, são as ações para romper as cadeias!
Solidariedade absoluta com xs compas Nataly, Juan, Enrique
e todxs xs presxs revolucionárixs.

México – Comunicado anarquista para aquelxs que apoiam o Congresso Nacional Indígena

21, dezembro, 2017 Sem comentários

Fonte: Act For Freedom Now
Tradução: Turba Negra

“De que vão nos perdoar?
De ter trazido rifles para combater em vez de arcos e flechas?
De ter aprendido a lutar antes de fazê-lo? ”
Subcomandante Insurgente Marcos

Xs anarquistas e outras individualidades libertárias, vemos na representação eleitoral uma fraude para os processos de libertação individual e coletiva do povo: entrar nos mecanismos legais, públicos e simbólicos do ESTADO, é delegar a nossa liberdade para que outros decidam por nós, o que que em termos práticos é traduzido na resignação voluntária à nossa capacidade de eleição e ação, isto é, a resignação voluntária para exercer nossa liberdade.

Quer esteja sob o controle de capitalistas, burocratas, indígenas ou trabalhadores, o ESTADO em si é o antagonismo da liberdade pessoal, ambiental e social das pessoas. Por que dizemos? Porque, de fato, é a organização máxima de controle, vigilância, coerção e repressão que a humanidade civilizada criou; Por esta razão, é absurdo para nós que a candidata Marichuy do CNI (Congresso Nacional Indígena) adote os mecanismos legais, simbólicos e morais que o Estado legitima para exercer o poder: ao fazê-lo, o máximo carrasco da liberdade está sendo legitimado. Sabemos muito bem que eles não querem chegar ao poder, nem governar a nação, nem que podem ganhar eleições, o problema que temos com sua candidatura é algo mais sério em nossa opinião, nos referimos à moral que Marichuy imprime à população, essa moral do Pastor e do rebanho, que é a moral dos porta-vozes, líderes, sacerdotes, burocratas, profetas, empresários e partidos que orientam a população com o argumento de representar a vontade das maiorias, negando-as desta forma – as pessoas e os povos – a liberdade de ação imediata para conquistar sua liberdade, uma vez que os representantes políticos são filtros, bloqueios, dispensadores, que limitam e/ou impedem ações diretas para que pessoas e povos dêem a si mesmos a liberdade e dar conta que para fazê-lo, você não precisa de intermediários.
A seguinte nota:

A lógica daquele que manda e obedece, do amo e seus fiéis, do tirano e seus escravos, dos burgueses e seus empregados, do porta-voz e seus partidários. É a velha canção de obedecer ao que manda, porque ele sabe, porque ele supostamente conhece o caminho certo para todos em qualquer momento e lugar. Essa moral é, em particular, o pastor que conduz seu gado ao matadouro. Besteira! É absurdo acreditar e apoiar líderes carismáticos que lhe prometem a libertação, uma vez que a liberdade e o bem-estar não podem ser concedidos por ninguém, é aquele que deve procurá-los através do autocuidado, da solidariedade e do apoio mútuo que não requer grande organizações ou partidos, mediadores simpáticos ou projetos de massas que requerem uma grande organização onde a agência de indivíduos é reduzida a uma coletivização dogmática de um projeto político.

Não queremos nem aceitaremos ser governados por nada e ninguém, lutaremos até a morte todas as formas e projetos de governo, controle e coerção; portanto, este slogan do “Conselho do GOVERNO indígena” causa desgosto, pois sabemos que todo governo é força e repressão – como diz o CRASS – ou como foi apontado e declarado por P.J. Proudhon: “Ser governado significa ser observado, inspecionado, espionado, dirigido, legislado, regulamentado, embutido, doutrinado, lido, inspecionado, estimado, apreciado, censurado, enviado. Ser governado significa ser registrado, registrado, registrado, selado, medido, avaliado, citado, patenteado, licenciado, autorizado, apostilado, admoestado, conteúdo, alterado, alterado, corrigido, ao realizar qualquer operação, qualquer transação, qualquer movimento. Significa, sob pretexto de utilidade pública e em nome do interesse geral; ser forçado a pagar contribuições, ser inspecionado, monopolizado, depredado, pressionado; depois, com a menor queixa, reprimida, multada, injuriada, maltratada, desarmada, apreendida, presa, julgada, condenada, deportada e, além disso, zombada, ridicularizada, indignada e desonrada. Esse é o governo, essa é a sua justiça e sua moral! “(1851) [i]

Venha de quem vier, sempre rejeitaremos propostas para serem dirigidas e organizadas por um líder carismático ou por porta-vozes de vontade popular que realmente representam a si mesmos e os seus lacaios sedentos de exercer o poder. Não importa se quem quer governar é mestiço, negro, branco ou indígena, quem planeja e executa projetos para governar, faz propostas para controlar as vontades alheias as suas, negando, portanto, a liberdade intrínseca de que não temos apenas seres humanos, mas todos os seres vivos. A decisão de agir DIRETAMENTE sobre nossas vidas é cancelada por esse aparato moral e social que chamamos de democracia, direta ou representativa. Sabemos que sua campanha não fazem pelos votos (apesar de fazê-lo pelo poder que o INE concede através do Estado) e o que eles procuram é um apelo à organização, mas essa chamada é a mensagem do pastor para suas ovelhas, do mestre aos seus servos. Obedecer as ordens do CNI implica que as pessoas não estarão organizando por si mesmas, mas pelos interesses de seus líderes e seu desejo de exercer o poder sobre a sociedade, isto é, GOVERNAR; As pessoas simpatizantes de Marychuy estão se organizando pela moral implícita de seguir o líder que promete esperança de libertação. Eles dizem que o fazem por estratégia. Qual estratégia? A de defender pelos mecanismos do Estado ao território mexicano do extrativismo neoliberal com o qual eles deveriam estar em guerra? Como eles pretendem alcançar isso quando os mecanismos que eles estão realizando atualmente – solicitar que o INE (Instituto Nacional Eleitoral) registre Marychuy na cédula para as eleições federais de 2018, por exemplo – são mecanismos que pactuam com os carrascos do Estado e da indústria, que neutralizam os legítimos projetos de autonomia e PACIFICAM AS INSURREIÇÕES que realmente procuram acabar com qualquer forma de governo, incluindo formas de governo de esquerda.

Lendo os múltiplos comunicados, entrevistas e observando inúmeros documentários do EZLN e da CNI, percebemos que sua estratégia é NACIONALISTA e, portanto, proclamam implicitamente os valores de territorialidade nacional que equivalem a manter que uma série de fronteiras territoriais que deve ser protegidas por um exército e protegido dentro pela polícia, ou seja, uma ordem nacionalista voltada para vigilância, punição, coerção, sofrimento, submissão a uma série de leis legais que protegem os interesses dessa coletividade fanática, ortodoxa, orgulhosamente racistas que chamamos México. O mesmo Subcomandante Marcos diz que eles perceberam que no momento de lutar contra o governo que não estavam enfrentando o Estado, mas sim um poder extra-nacional que é o capitalismo global, então: é por isso que eles deram sua luta aos mecanismos de Estado para proteger a nação mexicana dos grandes capitais, com a esperança de que os aparelhos burocráticos, policiais e militares limitem a invasão do capital estrangeiro? Absurdo! O território, a natureza, os povos, as individualidades, sabem e podem se defender sem mediadores e apenas por mediadores (Estado/líderes/burocratas), é que as florestas e as comunidades estão sendo destruídas, porque limitam a capacidade de ação, defesa e ataque contra a investida do projeto de civilização industrial. Sabemos muito bem que, diante da indústria e do Estado, implica enfrentar diretamente a polícia, o exército, os paramilitares e mesmo a própria sociedade civil, que vê na destruição da natureza uma forma de progresso, mas só no enfrentamento direto com os carrascos da Vida, é como as coisas são realmente defendidas, e não através de mecanismos democráticos, legais e pacifistas. Os movimentos pacifistas e legistas acabam sendo esmagados pelo estado quando ocorrem disputas territoriais, por exemplo, quando as comunidades rurais se opõem a algum mega projeto: há detidos, presos, torturados e mortos, depois de alguns anos o mega projeto está instalado e todos os esforços são inúteis, acontece – e é o mínimo dos casos – que a legalidade do Estado falha a favor das comunidades e suspende o mega projeto, mas acontece o mesmo, que o mega projeto ainda está aberto, latente , apenas adiando sua implementação, aguardando o momento em que a lei (os juízes) deu melhores condições para sua execução. Sim, a terra será defendida, os rios, se for lutar contra a gentrificação, é feito diretamente, sem mediações e sem posturas ridículas de pacifismos que apenas servem para reproduzir as lógicas de vitimização. Estamos fartos de todas as organizações de direitos humanos que vivem pegando recursos estatais para fazer documentários e registros de como as comunidades e as individualidades são brutalmente reprimidas, fartos de que mediem as lutas, fartos de que envolvam demandas na suposta defesa de pessoas afetadas pelo Estado, demandas que nunca são cumpridas. Absurdo é que o mesmo Estado castigue a si mesmo!

Aquela paz pregada pela legalidade é a paz do cemitério, é por isso que vemos na luta frontal contra a industrialização e o Estado, a única maneira de defender nossas vidas da devastação que acontece todos os dias. Devolver golpe por golpe, morte por morte aos carrascos é a única maneira de vencer aqueles bastardos leva vidas. Não queremos a paz, queremos a vitória! Sabemos que vocês dizem que é impossível derrotar o Estado, mas acontece que é possível, quantas vezes as insurgências acabaram com a dominação estatal, quantas vezes os projetos libertários triunfaram: muitas, muitas vezes! Mas aconteceu que, os esquerdistas que ansiavam pela velha ordem, devolveram à sociedade a organização do Estado e, com ela, o Governo e com o governo os mecanismos de controle, vigilância, punição e submissão que impedem a liberdade de todos os seres vivos, nos referimos assim, porque não importa só a liberdade de nossa espécie, mas a de todas.

Agora, antes de sentir desprezo – o que sabemos que alguns já sentem – para nós anarquistas e nossa postura indomável para lutar contra qualquer forma de controle, governo ou partido que seja de direita, centro ou esquerda, lembrem-se de que o movimento anarquista foi aquele que provocou e iniciou a Revolução Mexicana – nunca descartando métodos violentos – lembrem-se de que Emiliano Zapata foi influenciado decisivamente pelos anarquistas em sua ideologia revolucionária – apesar de que os magonistas se recusarem, em 1913, a unir forças com suas fileiras considerando sua luta limitadamente regionalista e reformista[1], lembrem-se de que a frase Terra e Liberdade é uma frase de origem anarquista, lembrem-se de que a frase para todos tudo, para nós nada – que todos pensam que é do Sub – é uma frase dos irmãos Flores Magón, anarquistas que foram presos e mortos por nunca aceitar, pactuar ou negociar com o Estado. É por isso que, a partir de uma análise histórica e atual da situação, a estratégia da CNI é um desperdício de energia, consideramos contraproducente a pacificação das lutas que a candidatura de Marichuy está causando, porque essa candidatura significa o pacto e a negociação com os carrascos que administram o Estado, isto é, admitir e reconhecer o governo em sua função supostamente legítima de Controle, Vigilância e Punição sobre as pessoas. É submeter-se aos calendários institucionais daqueles que mandam e dos que obedecem. Por que visualizar sua luta através de uma candidatura que ocorre nos marcos de tempo e espaço das eleições federais? Para invadir no poder Estatal? Para nada! Só fazem o jogo do Estado, só acabam por legitimar explicitamente e acatar implicitamente as determinações e ordens dos que governam e administram esse massacre que se chama progresso, que se chama Estado e indústria.

Agora, temos outra coisa a dizer – isto é, mais coisas – queremos questionar os estatutos que o EZLN tem como uma carta de apresentação e que muitos de seus seguidores tomaram sem crítica: para começar, do título de “Bom Governo” a coisa está ficando feio o suficiente, porque não pode haver bons governos, porque – como já foi reiterado muitas vezes – o governo é vigilância, punição, controle, obediência; Em relação à obediência, o primeiro ponto da carta de bom Governo do EZLN diz “Obedecer não mandar” essa lógica só favorece aqueles que justamente mandam nos governos e partidos (Quão inteligentes são os líderes do EZLN e do CNI!) Um dos maiores problemas da humanidade foi e é a obediência massiva; os grandes problemas da humanidade foram dados apenas para obediência e não por desobedecer. Quanto ao segundo ponto que diz “representar e não suplantar” Por acaso representação – em termos políticos – não é suplantar o outro porque esse outro forçou ou voluntariamente sua vontade de agir? Para representar politicamente, como foi dito desde o início deste texto, é negar às pessoas a capacidade de agir diretamente por sua liberdade e destino. Essa dinâmica de representação política é uma dinâmica confortável para as classes média e alta que veem na CNI e MORENA (partido de esquerda) uma esperança para a Mudança sem ter que manchar suas roupas e mãos? Quanto ao quarto ponto que diz “Servir, não se servir” É apenas uma moral dos escravos, que beneficia aqueles que governam em grandes organizações políticas, seja de centro, direita ou esquerda, é uma lógica que ajuda os porta-vozes/dirigentes/líderes dos partidos como é o CNI. O quinto ponto diz: “Baixar, não subir” outro valor de escravos, de vitimização e auto humilhação, de modo que os sujeitos que estão em cima, estejam eternamente. Para nós, se trata nem de subir nem de baixar, mas construir novos mundos horizontalmente (sem baixar ou subir politicamente), que de diferentes maneiras são iguais, sem rebaixamento político! Quanto ao último ponto que diz “dar vida, não tirá-la”. Para nós, essa frase é a mais delicada, porque a vida é o mais precioso, o mais belo da existência, então dar isso para um partido político, para o líder carismático ou os dirigentes e seus valores democráticos e populares nos tornam absurdos: a lógica do mártir também é moral para escravos, que se sacrificam por causas que muitas vezes nem compreendem nem são inteiramente suas. Para nós, para dar vida pra lutar contra o Estado, a industrialização da existência, não é um sacrifício, nem um dever instituído nas normas sociais, pelo partido ou da vontade popular, mas os compromissos que assumimos desde o momento em que decidimos ser livres e ser livres através da ação direta, sem mediadores que vivam como parasitas do poder e obediência daqueles ao seu redor e continuam… e para nós matar um banqueiro, cacique, biotecnólogo ou o fascista do seu bairro, é algo bonito, uma bela violência que não anseia a paz, mas a vitória; É feio, terrível matar, mas às vezes é necessário tirar vidas, depende do contexto e porque é feito, mas nunca transformaríamos em um mandamento, nem em um estatuto moral de uma “carta de bom governo”… e sim, preferimos dar vida do que tirá-la, mas às vezes para dar, é necessário matar aqueles que assassinam a Vida com os projetos industriais onde o Estado é o escudo principal para realizá-los.

Esta carta foi escrita por anarquistas que amam a liberdade, por alegres sabotadores de governos e empresas. Que criticamos a CNI com tanta dureza e alguns aspectos do EZLN não significam que nos opomos, em qualquer momento, as lutas legítimas pela liberdade e libertação dos povos originários da América e do mundo, ao contrário, somos cúmplices de todos esses “índios” que se negam ao progresso, que sabotam máquinas, que fazem bloqueios e barricadas para frear o progresso ecocida dos mega projetos de morte, somos cúmplices de todos aqueles que enfrentam o poder diretamente, que resistem e mais que resistem combatem golpe por golpe, morte por morte aos governos e as empresas assassinas, que afinal são mesmo lado da mesma moeda. Nós, anarquistas e outros indivíduos libertários e coletivos, sofremos ameaças de morte, perseguições, prisões, morte de companheirxs e, portanto, sabemos perfeitamente o que significa lutar sem trégua contra os carrascos que exercem o poder da economia e da legalidade industrial e civilizada, mas não por essa razão nos assumimos como vítimas ou negociamos com o Estado e as empresas, pelo contrário, nos assumimos cada vez mais como guerreiros que atacam clandestinamente, dando golpes estratégicos, duros e letais ao sistema da morte nos pontos onde mais dói… e no cotidiano continuaremos tecendo redes de afinidade, realizando uma projetos infinitos projetos autogestivos, dando apoio a todos os projetos autônomos e liberação das populações que assim decidiram. Esta crítica é porque vemos na candidatura de Marychuy coisas que, longe de avançar a libertação, atrasam-na; o apoio às comunidades indígenas do México e do mundo pelos anarquistas sempre esteve lá… e continuará sendo, porque um dos problemas mais sérios da humanidade tem sido o colonialismo e não vamos parar de lutar até que o vejamos queimar nas chamas da ação direta.

28 de Novembro de 2017, desde algum lugar do México.

Algumxs anarquistas pela Anarquia

Notas

[i] Proudhon, P.J. (1851), ideia geral da revolução no século XIX.

[1] No livro Magonismo: História de uma paixão libertária 1900-1922 de Salvador Hernández Padilla, são coletados alguns dados que expõem as diferenças e conexões entre o zapatismo e o magonismo anarquista. Entre as informações destaca a correspondência pessoal entre Emiliano Zapata e membros do Conselho Organizador do Partido Liberal Mexicano.

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